Exmo. Senhor Chefe do Executivo
Exma. Senhora Presidente da Assembleia Legislativa,
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal de Última Instância, Exmos.
Senhores Titulares dos Principais Cargos Públicos
Senhores Magistrados, Amigos da Comunidade Jurídica e Convidados
Senhoras e Senhores:
Antes
de mais, na qualidade de Procurador da Região Administrativa
Especial de Macau e em representação dos 23 magistrados e
todos os funcionários do Ministério Público, queria dirigir
os sinceros agradecimentos a Sua Excelência o Chefe do Executivo
pela sua presidência à Sessão Solene de Abertura do Ano
Judiciário de 2003/2004 e aos convidados e colaboradores do sector
judiciário pela sua presença na cerimónia. Queria igualmente
agradecer os Senhores Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça
da Comunidade dos Países e Territórios de Língua Portuguesa,
Sua Excelência o Procurador da República Portuguesa,
Senhor José Adriano Machado Souto de Moura, Sua Excelência
o Presidente do Tribunal de Última Instância da Região
Administrativa Especial de Hong Kong, Senhor Andrew Li Kwok Nang
e Sua Excelência a Secretária para a Justiça de Hong Kong,
Senhora Elsie Leung pela sua presença nesta cerimónia.
No
ano judiciário passado, o Ministério Público continuou a ter
como seus objectivos prioritários a repressão da criminalidade
e defesa da legalidade. Foram autuados 9648 processos penais na
totalidade e concluídos 10372 processos, o que representa um aumento
de 71% no número total de processos concluídos em relação
ao ano anterior de 2001/2002. A razão para esse aumento prende-se,
por um lado, com o melhoramento na gestão e simplificação
das formalidades e por outro lado, com os efeitos surtidos das medidas
tomadas pelo Ministério Público no sentido de criar grupos
de apoio especializado, que funcionam como assistentes dos magistrados
do Ministério Público, para o tratamento dos processos, acelerando
assim a eficiência do trabalho. Foram deduzidas 1146 acusações
penais com 1527 arguidos acusados, entre os quais, aos 153 arguidos
foi aplicada prisão preventiva sob proposta do Ministério
Público. Foram tomados directamente pelo Ministério Público
ou sob proposta deste cerca de 4000 medidas de coacção e
actos processuais especiais. Foram promovidos 618 casos para julgamento
em processo sumário. De entre os processos em que foram deduzidas
acusações, registaram-se mais de 200 crimes graves e violentos,
ocupando cerca de 17% da totalidade. Tais incluiram crimes de droga,
criminalidade organizada, homicídio, fogo posto, rapto, sequestro,
etc., sendo o número total aproximadamente igual ao ano anterior.
Quanto aos vários crimes graves e complexos ocorridos nos anos
passados que tiveram grande impacto social, foram deduzidas as acusações
e entregues ao Tribunal para julgamento no ano judiciário passado,
após a investigação e colheita de provas numa forma detalhada
e rigorosa pelo Ministério Público. Muitos dos arguidos destes
processos foram condenados e impostas sanções criminais.
Numa
sociedade regida pela lei, a via judicial é a última via de
resolver os conflitos. As funções do Ministério Público,
para além da acção penal, englobam ainda os processos
civil, laboral e administrativo. No ano judiciário passado, o Ministério
Público, tendo como objectivo a defesa da legalidade e garantia
dos interesses legítimos, interviu em cerca de 100 processos de
contencioso administrativo e fiscal, tendo acompanhado até à
conclusão do julgamento dos mesmos. Também interviu em cerca
de 200 processos de natureza laboral. Para além disso, apoiou
em cerca de 600 pedidos de apoio judiciário pelos intervenientes
processuais e deu mais de 2000 consultas jurídicas. Assistiu aos
concursos públicos para a empreitada das obras públicas ou
aquisição dos bens e materiais, tendo concluído todos os
29 trabalhos nesta área. Além disso, os magistrados ou representantes
do Ministério Público também participaram como membros
em vários conselhos especializados com vista a salvaguarda dos
interesses públicos e legalidade dos procedimentos.
No
ano passado, o Ministério Público, no cumprimento das suas
funções conferidas pela lei, conseguiu a compreensão e
apoio do Governo da RAEM, órgãos legislativos, diversos sectores
sociais e da população. Em representação de todos
os funcionários do Ministério Público da RAEM, queria dirigir
os mais sinceros agradecimentos aos vocês todos.
Ao
fazer o balanço do trabalho do ano passado, sentimos profundamente
que as expectativas dos diversos sectores sociais em relação
ao trabalho judicial estão a ser aumentadas, incluindo as dos
interessados processuais, que partindo do desejo de obterem efectivamente
a protecção judicial, também manifestaram as suas próprias
opiniões e perspectivas. Ao mesmo tempo, a desactualização
da parte da estrutura processual e da regulamentação de organização
dos serviços bem como as limitações dos recursos materiais
e humanos constituem obstáculos que limitam a eficiência processual
e a realização da justiça.
Por
isso, em primeiro lugar, precisamos de promover a actualização
da concepção da administração da justiça. Devemos
salientar o facto de que o serviço judicial tem como objectivo
a promoção da realização da justiça e da harmonia
social, pelo que a justiça e eficiência são ambas as metas
e princípios importantes que os órgãos judiciais procuram
cumprir aquando da prestação do serviço judicial ao público.
Para esse efeito, devemos aproveitar os frutos benéficos da civilização
humana baseada no espírito do estado de direito para podermos
criar, com os nossos esforços contínuos, um regime processual
de máximos efeitos com mínimos recursos, que permita aos cidadãos
exercerem os seus direitos com facilidade e que assegure a protecção
desses mesmos direitos, criando e desenvolvendo um sistema judicial
com características próprias e correspondente à realidade
de Macau.
Em
segundo lugar, é preciso aumentar a eficiência do trabalho
e melhorar o mecanismo de gestão. No âmbito do processo penal,
o Ministério Público reforçará as suas funções
na acção penal e cumprirá com rigor as funções da
repressão dos crimes e defesa da estabilidade e segurança
pública. Serão aperfeiçoadas as formas de como o Gabinete
do Procurador, liderado pelo Procurador, lidar com os crimes graves,
crimes cuja solução requer a cooperação judiciária
transfronteiriça, recursos judiciais e outros crimes especiais,
envidando com persistência os esforços pelo bom trabalho e
gestão reforçada por forma a conseguir o aumento progressivo
da eficiência. Em simultâneo, procederá ainda à análise
sobre a criação das regras e procedimentos adequados para
o tratamento do processo penal de modo a poder optimizar os recursos
judiciais. Quanto à cooperação judiciária em matéria
penal e perante uma maior abertura da sociedade e estreitamento
de relações com as regiões contíguas, o Ministério Público
reforçará a cooperação judiciária com essas regiões
de modo a tomar conjuntamente medidas eficazes de prevenção
e repressão da criminalidade transfronteiriça ou transnacional,
assegurando a estabilidade e desenvolvimento sustentado de Macau.
Nos âmbitos dos processos civil, laboral e administrativo, o
Ministério Público também criará grupos de apoio especializado,
que funcionam como assistentes dos magistrados, para o tratamento
dos processos com mais celeridade, elevando assim a eficiência
processual e prestando um serviço com maiores facilidades linguísticas
à população de Macau.
Senhores convidados, amigos das comunidades judiciária e jurídica,
Nesta
sessão solene anual, podemos não só viver o espírito
de direito, como também sentir a vitalidade do poder judicial
independente exercido pelo Ministério Público e do poder de
julgamento em última instância, que a Lei Básica confere
à RAEM. A história atribuiu aos órgãos judiciais da
RAEM esta nobre missão. Temos grande confiança no futuro.
No novo ano judiciário, o Ministério Público terá como objectivo
a garantia da justiça e aumento da eficiência do trabalho
judicial, cumprindo a lei e esforçando-se com persistência
no sentido de tornar as bases de legalidade ainda mais consolidadas
e assegurar o desenvolvimento sustentado de Macau.
Antes
de terminar, mais uma vez agradeço Sua Excelência o Chefe
do Executivo e demais convidados pela sua presença hoje, na cerimónia.
Obrigado.
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