Exmo. Senhor
Chefe do Executivo
Exma. Senhora
Presidente da Assembleia Legislativa
Exmo. Senhor
Presidente do Tribunal de Última Instância
Exmos.
Senhores
titulares dos cargos da Administração
Exmos.
Senhores
colegas da comunidade jurídica
Exmos.
Senhores
convidados
Minhas senhoras e
meus senhores
Hoje,
a realização da cerimónia de Abertura do Ano Judiciário
2001/2002 é um momento não apenas de retrospectivas e balanço
das experiências mas também de perspectivas e novos desafios.
No
ano passado, o Ministério Público da RAEM, como órgão
judicial que exerce independentemente poderes judiciais, cumpriu rigorosamente
as funções atribuídas por lei, tendo dado prioridade
à repressão da criminalidade e defesa dos interesses públicos
da sociedade. Tem como objectivo a longo prazo a defesa da lei e promoção
do desenvolvimento do sistema jurídico. O seu trabalho reflecte-se
essencialmente nos seguintes âmbitos:
1)
Exercício das atribuições e tratamento dos processos com
respeito pela lei. No ano passado foram tratados na totalidade 13243 processos
judiciais. No que respeita aos processos penais, o Ministério Público
procedeu à investigação e acusação eficazes
em tempo útil. Apesar do número dos processos penais que deram
entrada no ano passado ter batido mais uma vez o recorde,
tendo atingido o número de 10024, foram concluídos 6829 casos com
uma taxa de conclusão de 68%, graças ao esforço de todos os
funcionários do Ministério Público. Foi deduzida acusação
em 1326 processos penais, o que representou uma subida de 11% comparativamente
ao ano passado, dos quais foram acusadas 1809 pessoas e presos preventivamente
203 arguidos após instrução criminal. No tratamento deste
tipo de processos, o Ministério Público tem insistido na recolha
de provas com respeito pela lei e na verificação e escolha de
provas com objectividade, sendo a lei e as provas os únicos fundamentos
para o procedimento da acusação criminal. No pressuposto do
cumprimento rigoroso dos procedimentos legais, grande atenção foi
canalizada no sentido de aumentar a eficiência no tratamento dos processos.
Foram postas em prática políticas como a concessão de
prioridade aos processos mais graves com maior importância e de celeridade
com respeito pela lei, aos processos menos complexos. Foram solicitados ao
julgamento mediante processos sumários nos tribunais 815 casos penais de
menor gravidade o que contribuiu para um aumento da eficiência no âmbito
de acusação do Ministério Público assim como uma
resposta numa forma rápida, às exigências fundamentais da
manutenção da estabilidade social e ordem pública.
2) Execução da fiscalização em conformidade
com as leis e asseguramento da legalidade. No que respeita aos 226 processos
julgados neste ano inteiro pelos Tribunais de Segunda e de Última Instância,
a maioria das opiniões e pareceres relativos aos recursos foi adoptada e
reconhecida. Foram tratados mais de 3000 processos administrativos e cíveis.
Registaram-se cerca de 2500 consultas jurídicas dadas directamente ao público
pelos magistrados, funcionários de justiça e demais trabalhadores.
Foram tratados 551 pedidos para o apoio judiciário. Com vista ao
cumprimento das funções de consultoria definidas por lei, o Ministério
Público apresentou na totalidade 81 relatórios com temas específicos
e propostas legislativas em matérias jurídicas de relevo e
participou em mais de 20 actos públicos dos concursos levados a cabo
pelos serviços públicos. Ao mesmo tempo, mediante reuniões
periódicas e estudos temáticos com órgãos que mantem
uma estreita relação de trabalho e cooperação, o
Ministério Público procurou encontrar soluções para
problemas de divergências no entendimento das leis inerentes à sua
execução de modo a assegurar a sua aplicação
correcta e eficaz.
3) Desenvolvimento da prevenção da criminalidade e
fortalecimento das funções de procuradoria. Sendo a prevenção
da criminalidade uma das funções de procuradoria e justiça,
o Ministério Público, mediante diversos meios incluindo o anúncio
com respeito pela lei, dos resultados dos casos de maior gravidade tratados, o
atendimento às consultas do público referentes aos processos
judiciais, a inauguração da línha aberta e website próprios
desta instituição e a organização exclusiva ou ainda
com a colaboração das outras entidades, dos colóquios jurídicos,
conseguiu por um lado, aumentar a tranparência do seu trabalho e por outro,
proceder às actividades de prevenção dos crimes em conjunto
com instituições ou serviços competentes. Tais tentativas
benéficas revestem-se de um significado positivo no que respeita ao
incentivo e aumento da fiscalização pela população
assim como um melhor entendimento e acolhimento do público em relação
às actividades judiciais e da procuradoria. A convite das associações
cívicas, foram destacados magistrados para presidirem aos colóquios
com temas jurídicos de interesse comum da população, tais
como temas sobre os processos sumários em matéria cível,
conciliação e procedimentos judiciais relacionados com conflitos
laborais etc., nos quais foram efectuadas consultas "in loco", que
conseguiram efeitos sociais positivos.
4)
Prestação da atenção ao aumento
das qualidades profissionais e ao melhoramento dos serviços. Com o
objectivo de uma melhor adaptação ao desenvolvimento das
realidades e à consolidação do seu trabalho, o Ministério
Público tem vindo a dar grande importância ao aumento das
qualidades profissionais da generalidade dos seus funcionários e do seu
serviço assim como à criação dos sentimentos de
solidariedade e cooperação no trabalho. Organizou sistematicamente
uma série de colóquios temados sobre a Lei Básica, as
legislações penal e processual penal bem como cursos de formação
sobre a informática, a língua e a ética profissional, para
além de uma organização e participação dinâmicas
em várias actividades de intercâmbio judicial a nível
internacional e regional. Tais formações e intercâmbios não
só favorecem o aumento das qualidades profissionais e criação
das atitudes de respeito e seriedade para com o trabalho no seio dos seus
funcionários como também propiciam a concentração
dos esforços conjuntos para o cumprimento das missões sob o espírito
de equipa.
Meus
colegas e senhores convidados, a concretização das tarefas acima
mencionadas fez-nos sentir grandes pressões originadas não só
da situação contraditória que consiste na falta de mão
de obra para o tratamento de um grande volume de processos como também da
nossa consciência clara sobre as funções judiciais que nos
cabem e nos requerem a tomada de decisões prudentes conforme a lei em
todos os procedimentos judiciais. O trabalho no seu todo está associado
aos interesses gerais da sociedade. Portanto, hoje, nesta cerimónia
solene, queria dirigir, em representação dos 23 magistrados do
Ministério Público e ainda em nome do mesmo órgão,
os mais sinceros e profundos agradecimentos às seguintes personalidades.
Os
primeiros que merecem o nosso agradecimento são os magistrados e todos os
funcionários dos tribunais que com o objectivo comum da realização
da justiça e defesa da independência judicial, proporcionaram
assistência ao Ministério Público que por sua vez, no
desenrolar do seu trabalho quotidiano em conjunto com os colegas dos tribunais,
conseguiu adquirir muitas experiências positivas. Em segundo lugar,
devemos agradecer todos os advogados, operadores de Direito e demais
trabalhadores do âmbito judiciário local que no cumprimento das
obrigações inerentes ao seu trabalho, fizeram elogiar, cada um a
sua maneira, os valores e espírito da lei e defenderam em conjunto a
dignidade e autoridade da mesma. Em terceiro lugar, devemos agradecer o Governo
da RAEM, a Assembleia Legislativa e os seus deputados com cujas consideração
e suporte contámos para a realização das tarefas definidas
por lei. Queriamos dirigir o nosso agradecimento e respeito mais profundos em
relação a este aspecto. Em último, merecem a nossa gratidão
os cidadãos que se ergueram em luta contra a criminalidade. Foram vocês
que com a determinação e espírito de defesa da justiça
social, entregaram ao Ministério Público uma grande quantidade de
participações e provas, constituindo assim uma base que garantiu o
êxito do trabalho de acusação criminal. Vocês
manifestaram coragem no combate à criminalidade e defesa duma região
de Direito o que merecem o nosso respeito.
Senhores
convidados e amigos, uma das nossas tarefas no novo ano judiciário seria a ponderação
serena e resolução correcta dos problemas que surgiram ou que
venham a surgir no nosso trabalho.
Segundo
revelam estatísticas do Ministério Público, apesar de se
ter registado no presente momento, uma redução, em grande escala,
do número dos crimes organizados como casos de homicídio e de fogo
posto, contribuindo para uma estabilidade na ordem pública, verifica-se
no entanto, uma transformação na tipologia de crimes. Registou-se
um aumento tendencial do número dos crimes mais graves como o sequestro,
extorsão e droga com o número dos processos penais autuados
superior ao do ano passado. Nota-se ainda o aparecimento de actividades
criminosas cuja prática é cada vez mais sofisticada e secreta.
Face
a essa nova realidade de segurança pública, o Ministério Público
não pode manter-se inerte. É preciso proceder à actualização
das metodologias de investigação criminal e reavaliação
das políticas de acusação criminal desta instituição
especialmente perante a criminalidade organizada, inesperada ou que envolve
meios intelectuais. O Ministério Público pretende tomar duas
medidas neste aspecto: Por um lado, o reforço dos estudos sobre as
características deste tipo de crimes de modo a adoptar novas técnicas
de investigação e metodologias de acusação criminal.
Por outro, o acompanhamento de perto e promoção da actualização
das leis penais, tornando-as, mediante devida revisão jurídica e
legislação, mais adaptáveis à prevenção
e combate à nova tipologia de crimes. Além disso, é de
referir que hoje, com a uniformização da economia global e o
desenvolvimento rápido das tecnologias de informática, trata-se de
uma missão comum para os órgãos judiciais de Macau e de
outros países e regiões a prevenção e combate
conjuntos à criminalidade transfronteiriça.
O desenvolvimento da democracia e do sistema jurídico requerem forçosamente
que os órgãos judiciais dão importância numa forma
mais pragmática e protecção mais efectiva a todos os
direitos e interesses legítimos dos cidadãos, para além de
novas exigências mais sérias concernentes à conceitologia
jurídica e funcionamento do sistema, sobre o qual devemos ter
conhecimentos suficientes. Desde o retorno de Macau à China, registou-se
um aumento significativo do número dos processos administrativos e
laborais tratados pelo Ministério Público, o que implica a exigência
dos cidadãos pela justiça mediante o recurso cada vez mais
à acção judicial. No tratamento destes processos, é
preciso conseguir com respeito pela lei, um equilíbrio em termos legais,
entre diferentes interesses legítimos, atento à necessidade de
ultrapassar dificuldades inerentes às deficiências jurídicas
inevitáveis no processo de actualização das leis assim como
procurar encontrar medidas mais favoráveis à defesa dos interesses
legítimos e legais de cada interveniente, de modo a dar uma conciliação
adequada aos conflitos conforme a regulamentação jurídica e
defender eficazmente os interesses legais do interveniente.
O aumento da eficiência e economização processuais são
as duas exigências novas impostas pelo sistema jurídico moderno aos
órgãos judiciais. Face à recessão da economia
global, essas exigências merecem ainda mais a nossa atenção.
É do nosso entendimento que só mediante a criação de
cíclos de recurso com prazos razoáveis, tratamento dos processos
judiciais por forma sumária e distribuição racional dos
recursos materiais no âmbito judiciário, é que se pode criar
um sistema judicial eficaz, democrático e imparcial. A redução
das despesas, aumento da eficiência e economização
processuais assim como a aplicação da justiça com isenção,
ao serviço da população, seriam uns dos nossos objectivos
novos a atingir no desenrolar do novo ano judiciário.
Exmo. Senhor Chefe do Executivo, Exmos. Senhores Convidados, embora a criminalidade, um complexo fenómeno social, seja um
produto da constituição da sociedade e esteja presente
infinitivamente no tempo, acompanhando o desenvolvimento social, a nossa
determinação no combate à mesma não seria abalada. Não
se trata apenas de uma responsabilidade inerente à lei, mas também
uma necessidade intrínseca à existência e evolução
humanas. Partindo deste sentido, se se considerar necessário formar uma
convicção no seio do Ministério Público, esta seria
"o respeito pela legalidade e a eliminação dos crimes".
Antes de terminar, queria mais uma vez agradecer Exmo. Senhor Chefe do
Executivo e todos os Senhores Convidados pela sua presença nesta cerimónia
de abertura do ano judiciário.
Obrigado.
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